Monday, April 12, 2010

She´s just not that into you

http://www.youtube.com/watch?v=CwEeGeLn1E4&feature=fvst (é para ouvir enquanto se lê)

Era uma manhã chuvosa, escura, triste… E ela apareceu! Estava acompanhada, mas nem vi com quem. Disse: Bom dia! Chamo-me…… Acho que não ouvi o nome. Estava a ouvi-la de uma outra forma. A face dela era esmagadoramente apaixonável. Tinha uma candura desarmante, a beleza de uma diva, uma expressão facial incrível. Fiquei um pouco inquietado, confesso. O sorriso tímido e desafiante iludiu-me. Por vezes torna-se difícil acreditar que ainda existam pessoas capazes de tal. Mas ali estava ela… Simples e assustadoramente atraente. O dia não mais foi o mesmo. Os dias! Viria eu a saber mais tarde.

Durante uns dias pensei nesse momento. Teria oportunidade de conviver com ela? Certamente que sim. Mas como eu queria? De uma forma pessoal? Privarmos? Conhecermo-nos? Talvez não… Muito provavelmente não. As leis de Murphy provam inequivocamente esta afirmação. Existem excepções? Sim. Mas não na minha vida. Pode ser que haja na dela… Depois… as dúvidas. Ela está numa relação? Reparou em mim? Pensa, nem que esporadicamente, em mim? Não dessa forma… Da outra. Da que eu quero. As respostas eram claras: Está numa relação. Não reparou em mim. Não pensa em mim, nem que esporadicamente. E nem sequer dessa forma pensa em mim.

Os dias foram passando. As recordações tornaram-se menos claras. Os sentimentos adormecidos. As ideias confusas. Subitamente, vemo-nos . Uma e outra vez. E confirmou-se o veredicto. Aquele sorriso desarma-me completamente. Tem o olhar de um felino determinado. O olhar de quem sabe o que quer e quer mostrá-lo apenas com o olhar. É-lhe suficiente. É demasiado forte. Demasiado penetrante. Demasiado…belo!

A personalidade, apresenta-a de uma forma reservada. Mais uma vez, a falsa timidez. A mesma do primeiro sorriso. Há qualquer coisa de desafiante nas acções. Vejo-o claramente. Interpreto-o, abusadoramente, como uma possível reciprocidade. A confiança cresce por cada comentário irónico/sarcástico que me dirige. Falamos a mesma lígua, penso. A vontade de convidá-la é enorme. No limite, chega a ser um peso que não consigo libertar. São muitas questões, muitos receios. Será cedo de mais? Que vai pensar do meu convite dadas as circunstâncias? Como vou saber se está numa relação? Dei por mim a imaginar o encontro. Levá-la-ia a um restaurante, talvez com música ao vivo, teríamos uma longa conversa ao ponto de sermos convidados a sair no fim da noite. Iamos saindo, rindo da situação. Os funcionários facilmente percebem a nossa alegria. A alegria de quem está a conhecer alguém e está feliz com o que conhece. Sorriem cumplicemente. Eu reparo… Ela não. Cá fora tropeçamos nas horas. É muito tarde, apesar de amanhã ser Domingo e podermos descansar. Olho para a expressão dela. É clara como o céu sobre nós. Quer continuar este encontro. Sente-se agradada com a noite e as desconfiaças iniciais desapareceram. Não interessa para onde vamos. Apenas quer continuar a conhecer-me. Convido-a para passearmos na praia, apesar do frio que se sente. Em último caso, cedo-lhe o meu blusão. Ela merece. A noite acaba com dois beijos. Um em cada face. Os primeiros. A face dela é tão macia quanto bela, pensei.

Inesperadamente, uma oportunidade surge. Uma viagem, significativamente distante, para a conhecer melhor. Será que vamos apenas os dois? Como vou mostrar que quero jantar com ela? Convido-a? Assim, sem mais nem menos? Pois. Recebo o e-mail. “Daqui vamos três ,em princípio”… Comigo seriamos quatro. Uma multidão, lembro-me de pensar.

A viagem apenas confirmou o que já suspeitava: Tenho um fraquinho pela…….. Se não tiver cuidado torna-se, facilmente, um fortezinho…É, neste momento, demasiado claro para mim. Ela é linda, interessante, inteligente, tem sentido de humor, extremamente bem formada, irónica, decidida, determinada, emana personalidade, bom gosto… e dezenas de outras coisas que poderia indicar. O facto de perceber nesse dia, a pessoa fantástica que é, paralelamente, fez-me perceber que ela não é da minha liga. Eu estou a meio da tabela. Por vezes tenho que lutar para não descer. Ela, sem se esforçar muito, joga para a Europa. Nem quero imaginar quando se esforça. Depois de semanas a ouvir The Police com “ Every litle thing she does is magic”, está na hora de começar a ouvir uma banda sonora mais realista: The Rolling Stones “ You can’t always get what you want”.

Nuno Sousa 12/03/2010

03:57 a.m.

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